Cracóvia e o Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Chegamos cedo em Cracóvia, a terceira maior cidade da Polônia, com 700 mil habitantes. É considerada a capital cultural do país, em virtude dos seus monumentos históricos, tendo sido a primeira capital da Polônia, de 1040 a 1596.

A nossa decisão de ir a cidade surgiu durante a viagem. O objetivo era visitar o Campo de Concentração de Auschwitz, a 75 km da Cracóvia.

Passamos apenas algumas horas na cidade, não dormimos lá, mas uma boa dica é o Albergue Premiun Hostel, com a diária de 45 zl (zloty) ou € 13, sem café. O hostel tem apenas 4 camas no quarto e banheiro privativo, calefação, uma ótima cozinha e 1 computador, com internet grátis.

Deixamos nossa bagagem na rodoviária e já pegamos um ônibus (às 8h) para Auschwitz, como ficou conhecida, mas na verdade a cidade chama-se Oswiecim. O ônibus (passagem a 11-16 zl ou € 3-5) parte da rodoviária de Cracóvia, a cada 20 minutos, e para bem em frente à entrada do campo. A viagem dura cerca de 1h15. O trem, saindo da estação central, também faz esse percurso, por 11 zl ou € 3, porém com menos saídas e a estação de Oswiecim é bem mais longe.

Além de Auschwitz, há o campo de concentração de Birkenau, separados a apenas 3 km um do outro. São museus a céu aberto. Abrem diariamente e a entrada é gratuita. Em virtude do pouco tempo que tínhamos, visitamos somente o primeiro. Na entrada do campo, vende-se um guia em várias línguas, inclusive em português, e bem explicativo. Adquirimos um por 20 zl ou € 6.

Em Auschwitz foram mortos entre 1,5 e 2 milhões de pessoas, de 27 nacionalidades diferentes, 90% judeus. Construído em 1940, com o objetivo de abrigar presos políticos poloneses, logo tornou-se um campo de extermínio.

Para o campo de concentração de Auschwitz entrava-se por um portão adornado com a frase “Arbeit macht frei” (O trabalho liberta), que constituía, no fundo, o lema dos campos de concentração nazis. Os prisioneiros atravessam este portão diariamente, indo e voltando extremamente fatigados, depois de horas e horas de trabalho.

Em 1941, Heinrich Himmler, comandante e chefe da polícia alemã, designou o campo para a realização do programa de extermínio total da população judaica.

A maioria dos judeus condenados à exterminação, no campo de Auschwitz, era convencida de que estava a ser deportada para se estabelecer no leste da Europa. Sobretudo, enganavam-se judeus oriundos da Grécia e da Hungria, aos quais os hitleristas tinham vendido lotes inexistentes, fazendas, lojas e oferecido trabalho fictício em fábricas. Por essa razão, os deportados traziam consigo os objetos mais preciosos, dos quais os nazistas apoderavam-se.

Até 1944, os comboios paravam na estação de mercadorias de Auschwitz; posteriormente, começaram a parar no cais da estação em Birkenau, construído especialmente para este fim, onde os oficiais e médicos das SS (polícia secreta de Hitler) efetuavam a separação criteriosa dos deportados, dirigindo os aptos para os campos de trabalho e os inaptos para as câmaras de gás.

A exposição no campo mostra algumas fotografias originais de um álbum com cerca de 200 fotografias tiradas, em 1944, em Birkenau, por um membro da SS durante a operação de extermínio de judeus húngaros.

Pode ser ver peças de roupa, sacos com restos de cabelos que eram enviados às fábricas do III Reich, os alojamentos onde dormiam os prisioneiros e os lugares dos crimes em massa: os sítios de execuções por fuzilamento ou enforcamento, as câmaras de gás onde aplicavam o gás Zyklon B, os crematórios, os fossos e as piras de incineração.

Algumas fotos mostram mulheres apressadas para a câmara de gás e cadáveres queimados.

Os dentes de ouro eram extraídos dos cadáveres e fundidos em barras, sendo enviadas à Oficina Geral Sanitária da SS.

É difícil imaginar os dias trágicos que milhões de pessoas passaram ali. Além dos maus tratos, trabalhos forçados e perigo de morte iminente, havia as condições terríveis do alojamento, a fome, a roupa leve que não protegia do frio e que sequer era lavada ou trocada e os ratos e os insetos causando doenças e epidemias.

Muitos países doaram fotografias e documentos de seus cidadãos que morreram nos campos para serem ali expostos.

Há muitos turistas e, no dia em que estivemos lá, um grupo de jovens judeus de Israel visitavam o campo, balançando bandeirinhas de seu país. Deixar essas lembranças vivas e não esquecê-las é uma vitória, pela qual Hitler não esperava.

Por volta 12h30, regressamos de ônibus para a Cracóvia. Pegamos um táxi para fazer um tour rápido pela cidade, apenas para registrar alguns locais.

O centro histórico, Stare Miasto, é um passeio obrigatório, cujo marco é a Rynek Glówny (Praça Central), construída em 1257. Ao longo dos séculos, foi palco de pronunciamento de reis, de execuções públicas, de revoltas populares. Em 1979, um helicóptero pousou ali com o João Paulo II. Era a primeira visita dele, como Papa, a um país do bloco soviético. João Paulo II nasceu em Wadowice, localizada a 1 hora de Cracóvia.

Em frente à praça, está o Sukiennice, mercado erguido nos séculos XIII e XIV em estilo gótico e reformado como renascentista depois de um incêndio no século XVI. Abriga lojas e banca de artigos típicos e souvenirs. No andar superior, há uma Galeria de Arte Polonesa.

Ao lado do mercado, está a Torre da Prefeitura. Oferece uma boa vista do topo. Entrada a 6/4 zl ou € 2/1 (estudante).

Na frente do mercado, encontra-se a Bazylika Mariacka (Basílica de Santa Maria), com suas duas torres góticas. Conta a lenda que a construção das torres foi fruto de uma aposta entre dois príncipes irmãos. Venceria quem conseguisse erguer a mais alta. Um deles venceu, é óbvio, embora hoje já nem se saiba exato quem foi. Mas outra lenda circunda as torres. Conta-se que durante uma invasão, um tocador de clarinete foi até uma das janelas da torre cumprir o seu dever, o de alertar os soldados sobre o perigo próximo. Enquanto ele tocava, levou uma flechada certeira no pescoço e morreu. Até hoje, a cada hora cheia, um tocador de clarinete aparece nas pequenas janelas da torre e toca o instrumento na direção dos quatro pontos cardeais. Mas o toque é interrompido bruscamente, simbolizando o momento exato que o outro homem, há séculos, foi atingido pelo inimigo. Foi reconstruída após a invasão dos Tártaros, no século XIII. Seu maior atrativo é o impressionante altar com a Virgem Maria e os Apóstolos e algumas cenas da Bíblia. Entrada a 4/2 zl ou € 1/0,50 (estudante).

Barbakan é uma parte da fortaleza medieval que protegia a cidade, construída em 1498 com paredes de 3 m de espessura e 7 torres de vigia.

O bairro Kazimierz, onde vivia a comunidade judaica, ainda preserva muitas lembranças da época e merece ser visitado.

Ainda tivemos tempo de parar para fotografar o Castelo Wawel, com sua catedral, museu, jardins e uma grande muralha que o cerca. Considerado o Palácio de Buckingham polonês, foi construído em 1038 pelo rei Kasimir I. É na catedral do castelo que os grandes reis foram coroados e enterrados. Lá também estão os restos do Santo Stanislaus, santo patrono do país. Cada sala tem uma entrada diferente a partir do pátio do castelo, pagando-se por cada uma separadamente.

Entre a praça central e o castelo, há a Kosciol Sw. Piotra i Pawla (Igreja de São Pedro e São Paulo), construída em 1616 pelos jesuítas, a primeira em estilo barroco de Cracóvia. Em frente, existem esculturas dos 12 apóstolos datadas do século XVIII.

Os trajetos mais populares são: a Rota Real (The Royal Route), dos portões de Barbakan ao castelo, passando pela cidade velha; a Rota da Herança Judaica, circulando pelos prédios históricos de Kazimierz, passeio que pode ser complementado indo até os resquícios do muro do gueto judaico e à Fábrica de Schindler; e um terceiro: Os Passos de João Paulo II, que incluem visita à Faculdade de Filosofia que ele integrou, ao Palácio Açobispal (sua última residência na Cracóvia), à Catedral no monte Wawel, onde celebrou sua primeira missa, e a outras áreas ligadas à sua história.

Para se orientar na Polônia, é bom entender o significado de algumas palavras nas estações de trem: odjazdy (chegada), przyjazdy (saídas), miejscówka (reserva), konduktor (fiscal). Se você estiver atrasado para pegar o trem, pode comprar o bilhete com o konduktor dentro do vagão. É o fiscal que passa pelas cabines cobrando a apresentação do tíquete. Porém, o ideal é comprar antes.

Um dia a mais seria melhor para conhecer a cidade. Não tivemos muita sorte com o tempo, estava nublado e garoando. Deixamos a Cracóvia no dia 19 de setembro.

Próximo destino: Berlim. Corremos para a rodoviária para comprar a passagem (180 zl ou € 53) e pegar nossas bagagens que estavam nos lockers. O ônibus da Eurolines Polska saía às 15h45. Foram 11 horas de viagem.

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